2006
Algo mudou dentro de mim depois do meu último encontro com Lance.
Eu passei o último ano remoendo aquela batalha... Eu me senti um lixo (mais do que o habitual). Sobretudo, por conta daquilo que ele disse... Que eu não estava preparado.
E ele estava certo!
Droga! Como eu queria que não!
Eu me odeio por concordar com um Rocket, mas Lance estava certo, quer eu queira, quer não. Então eu tomei vergonha na cara, levantei da cama e passei a me desafiar para superar meus limites. Comecei a viajar o mundo desafiando 'Campeões' para um duelo. Não havia melhor forma de eu me preparar. Se eu queria algum dia derrotar Giovanni e acabar de uma vez por todas com a Equipe Rocket, ESSE era o jeito...
Não havia descanso. Não havia sossego. Havia apenas... Batalhas. Muitas delas. E suor. Bastante suor.
O primeiro deles eu encontrei no Terarium, em um curso de Verão da Blueberry Academy...
Eu nunca vou me esquecer daquela batalha... Nem da forma como Drayton parecia preguiçoso e desleixado até perceber que estava perdendo e ser tarde demais para lutar de forma séria.
Com essa disposição questionável, o marrento de cabelinho de pasta de dente não conseguiu nem mesmo reverter o resultado para um empate, perdendo (e bem perdido!!!) numa disputa derradeira entre Charizard Negro e Nidoking.
Então passei para o continente em busca de seu avô, o Grande Campeão. Talvez ele levasse as coisas mais a sério.

E levava mesmo!
Mas foi aí que eu me senti testado ao limite...
Foi uma das coisas mais intensas que eu já experienciei em toda a minha vida!!! Dentro daquela luta, eu vivi uma semana em um dia. Foi como se o espaço-tempo dobrasse e se distorcesse diante de mim. Mas quando a Espada da Justiça tombou, depois de horas de ação ininterrupta, eu pude, pela primeira vez em muito tempo, sentir uma pontinha de esperança. Ledo engano...
Era um truque! Cobalion ergueu a testa uma última vez e apunhalou Machamp sem misericórdia, em uma emboscada final, terminando de uma vez por todas comigo e com o meu ego.
Meu orgulho, há muito ferido, foi empalado até a m0rt3. Uma decepção... Drayden aceitou meu retorno, mas somente quando eu estivesse forte o suficiente. Me senti um palhaço...
Então passei para a próxima Campeã que também tomava conta de um lendário...
Resultado: Derrota.
E das feias!
Mesmo com o Chuvisco de Kyogre também favorecendo o meu lado, a força da orca era inigualável. E não se podia esperar menos de um Pokémon Super Antigo. Mas eu não podia me dar por vencido. Eu não podia parar de tentar. Eu tinha que continuar escalando!
Sapphire até se comprometeu a aceitar uma revanche, algum dia, mas sua agenda pelos próximos 17 meses estava completamente LOTADA! (E ela parecia visivelmente consternada por conta disso...)
Então eu segui meu caminho.
Mas eu não estava nessa sozinho.
Não.
Eu estava determinado a me provar pro Lance! (Mais do que para mim mesmo, para falar a verdade...) Então a primeira coisa que eu fiz foi alugar um barco no Porto de Vermilion com o que havia me restado do dinheiro ganho na Liga Pokémon três anos antes.
Eu não sabia pilotar.
Então recorri a um Impostor para fazer o serviço de Capitão. Pense num sujeito que aprendeu a navegar ao ser perseguido pela Polícia. Acho que a água bateu na bunda... A dor ensina a gemer.
E se um era impostor, o outro era golpista. Eu estava bem arranjado!
Mas não importa. Eu emprestava o barco para ele pescar e fazer o negócio dele e, em troca, ele me ajudava a evitar cair em furada.
Em minha equipe estava também um velho cientista aposentado, que passava seus dias agora cuidando de Pokémon que foram roubados e abandonados pela Equipe Rocket. Acho que é remorso por ter participado da criação do Pokémon mais maligno que esse mundo já viu...
Fato é que eu não podia deixar um velhinho m0rr3r de depressão esquecido num asilo, então eu fiz a caridade de trazê-lo comigo...
MENTIRA.
Ele tava ali para me ajudar... Você sabe... Com Ele.
E como eu mantenho todos esses três criminosos na linha?, você deve estar se perguntando...
Bom, a resposta é simples e direta:
Com o cano da 22 do Baoba.
O Rei do Karatê também estava nessa. Ele tinha o mesmo objetivo que eu. Tornar-se mais forte. Mas não para se vingar de ninguém em particular. Apenas para superar o seu mestre, Koichi, do Dojo de Saffron.
E, claro, a patricinha sensacional com recalque por ter perdido sua posição como Líder de Ginásio para sua irmã mais nova não tão sensacional assim... (palavras dela, não minhas!).
Bill também viajava conosco, agora com o cabelo 'sem-querer-querendo' tingido de verde após um experimento em que ele tentou se fundir a um "Oddium wanderus" deu errado! E essa nem foi a primeira vez que ele fez uma c4g@d4 parecida... Eu até já perdi as contas... (Ou vai ver ele só fumou demais e a erva subiu à cabeça - literalmente).
Como todo desenvolvedor do Sistema de Armazenamento de Pokémon, ele trabalhava de home office, então não importava em qual lugar do mundo ele estivesse. (A menos que nesse lugar não tenha internet). Acho que no fim das contas, nos tornamos bons amigos e durante todos esses meses no mar, aportando de Região em Região, ele virou meu confidente.
E por fim, mas não menos importante...
Como vocês já devem ter reparado, os Pokémon do Blue, da Green e da Yellow estavam comigo, incluindo aqueles que o Blue conseguiu como herança do Giovanni, os Pokémon que outrora defenderam o Ginásio de Viridian.
Eles me ajudavam, vez ou outra, a esp@nc@r alguns agentes da Equipe Rocket só por div3rsão.
Mas todo time precisa de um nome, não é mesmo?
A sugestão foi do velho Fuji. Brigada. Brigada Vermelha. Um trocadilho com o meu sobrenome, creio eu. Mas até que fazia sentido. Estávamos em uma jornada mundial com um único objetivo: sangue!
E foi com essa trupe que, numa segunda-feira à tardinha, com o sol rachando mesmo ao se pôr, nós ancoramos o S.S. Tidal nas rochas em uma parte selvagem da Região de Forina, em busca do próximo Campeão...
E quem poderia estar enfiado em plena selva numa Região à sudeste da China?
Só um doido de pedra mesmo!
E Pedra... Pedra era a palavra-chave nesse quebra-cabeças.
Enquanto Kiyo, Impostor e o Vendedor de Magikarp's montavam acampamento, o velho Fuji fingia dor nas costas para não ajudar, Baoba apontava o cano ameaçando um Absol selvagem, a Sensacional Daisy só lhes dava trabalho ordenando que carregassem malas e mais malas para sua tenda, e Bill observava as espécies nativas à distância com uma luneta e fazia desenhos em um caderno velho, eu saí atrás do Campeão e o encontrei em uma espécie de mina de carvão ou algo do tipo. Fazendo o quê? Procurando por PEDRAS. Birutinha das ideia!
— Steven Stone... — Falei lentamente ao avistar o cabelo prateado banhado pelos últimos raios solares que ainda conseguiam penetrar naquela parte da caverna.
Ele não levantou a cabeça. Continuou fitando algum tipo de minério, fascinado.
— Steven--
— Eu já ouvi! Já ouvi! Só me dê um minuto! — disse ele, sem sequer me olhar nos olhos. Estava tão obcecado com aquela pedra que o resto do mundo podia se acabar e ele nem ia ver.
Mas o que aconteceu a seguir... Eu não estava esperando. Meu telefone tocou. O nome escrito na tela era o mesmo da "patty" irmã da Misty, mas o sobrenome era outro: Oak. Carvalho. Era Daisy, a irmã do Blue.
Atendi despretensiosamente sem saber que, dois segundos depois, deixaria o telefone cair no chão, impactado com a notícia que ela havia acabado de me dar.
"Red, eu tô grávida. E é seu."
Não. Não podia ser! Se bem que... É... Podia sim!
Daisy e eu comemoramos o último Chūnjié de uma forma diferente... O ano era do cão, mas para ela, tinha sido da serpente.
Juntei o telefone de volta, com cuidado. Ela ainda estava na linha.
— Tem certeza que é meu? — Questionei. — Você não andou dormindo com outros caras?
— Red! É lógico que é seu!!! — Devolveu ela, indignada. — Quem você pensa que eu sou?!
— Me desculpa. Isso... Não podia ter acontecido! Não agora que eu tô viajando o mundo para me tornar mais forte!!! Não! O que... O que você vai fazer fazer?
— O que "EU" vou fazer??? Eu te falei pra usar--
— Ah, agora a culpa é MINHA?! — Devolvi.
— Não foi isso o que eu disse!
— Isso não pode acontecer! Você deve estar enganada!
— Eu não estou enganada! Por favor, Red... Venha aqui.
— Eu... Não posso. Não posso. Não agora. Toma um chazinho aí que passa.
Ela fez um grunhido do outro lado que eu interpretei como choro.
E então, o telefone ficou mudo...
Olhei para a tela, que havia se apagado completamente. A queda o havia danificado mais do que eu imaginava. Droga! Joguei aquela porcaria longe e, não satisfeito com ele se estatelando nas paredes rochosas da caverna, ainda fui atrás e pisei em cima duas, três vezes, com muita raiva.
— Você está com muita raiva, garoto. — disse-me Steven, pela primeira vez prestando atenção em mim. Será que ele havia escutado a ligação.
— E COMO! — disse eu, já vermelho. Havia dez anos que eu não sabia sentir outra coisa.
Então, ele estendeu-me a mão:
— Prazer. Steven. Mas isso você já sabe.
— Red. da Cidade de Pallet.
— Puxa! Você veio de longe! Então... Como me achou aqui?
— Tenho meus contatos.
— Hmm... Cara informado. É mais alguma artimanha do meu pai pra me fazer trabalhar pra Devon em plenas férias?! Porque se for... Cara, eu tô ocupado aqui!
— Não é nada disso. Eu vim atrás de uma Batalha!
— Batalha?!
— Pois eu aceito.
Tão fácil assim? Pois é... Assim que Steven disse que aceitava, meu coração acelerou e eu entrei no modo combate. Esqueci-me completamente dos meus problemas... De repente, não havia mais Daisy nem embrião nem feto. Não havia máfia. Não havia Pokémon permanentemente feridos. Não havia amigos mortos. Não havia perseguição. Não havia medo... Por um breve momento, eu pude me esquecer de tudo e respirar. Era só eu e ele, ali, no meio da selva, lutando como dois homens para determinar o mais forte.
Faíscas estalaram quando Magneton, a primeira escolha de Stone, entrou em batalha. Assim que deixou a pokébola, ele fez uma cara estranha, como se tivesse tomado um susto por ter sido arrancado do conforto da pokébola para uma brutal batalha que prometia se desenvolver, mas logo após, normalizou.
Dessa maneira, minha escolha foi meu parceirão, Pika.
Pika entrou rasgando.
Ele começou a correr, aumentando sua agilidade, mas isso não o impediu de ser atingido pelas faíscas de Magneton.
O Pokémon de três cabeças começou a estalar com a Onda Trovão, mas Pikachu é do Tipo Elétrico, ele não pode ser paralisado. Que erro besta, pensei. Eis que pedras começam a voar na direção de Pika. Ele tenta correr, mas é soterrado com uma velocidade absurda!
— O que foi isso?! — Perguntei.
— Magnetita. Esta é uma mina de magnetita.
— E eu deveria saber o que que é isso?
— É um mineral magnético. Magneton alterou a carga do Pikachu e fez com que ele se tornasse um grande ÍMÃ!
Um ímã?! Tá falando sério?! Mas o Magneton É um ímã! Ou melhor, um não. Múltiplos! Como ele não foi esmagado?
Então eu me lembrei. Assim que saiu da Pokébola, Magneton fez uma cara estranha, depois normalizou. Ele deve ter percebido o ambiente altamente magnetizado ao seu redor e alterado as propriedades dos seus ímãs (talvez uma inversão de polos ou sei lá) e evitado maiores incidentes.
— Pikachu! — Gritei.
Ele irrompeu do meio das pedras, lançando um Canhão de Zap na direção do desgraçado.
Mas a Robustez de Magneton impediu que ele fosse obliterado pelo acerto crítico, então... Decidi chamar Pika de volta à pokébola. Mas antes que eu pudesse fazê-lo...
Um som horrível atingiu meus tímpanos, causando uma tontura desgraçada. Pikachu parecia igualmente irritado com o som, que reverberava pelas paredes da caverna, ricocheteando na magnetita e ecoando de forma exponencial. Nem mesmo Steven parecia muito satisfeito com o golpe. O único que parecia se sentir à vontade, era o próprio Magneton.
Até que...
Ele simplesmente cai, nocauteado!
O barulho ensurdecedor parou ao mesmo tempo em que os olhos de Steven se arregalaram. "O que aconteceu?", perguntou, e eu apenas me limitei a dizer que eu também tinha os meus truques.
Então, ele sacou um voador dessa vez.
Skarmory voou com suas garras na direção de Pikachu.
Mas dessa vez, eu fui mais rápido.
As garras de Skarmory fincaram na parede de pedra. Ele não conseguia se soltar. Esse era o momento perfeito para atacarmos!!
Mas bem na hora, Skarmory conseguiu se soltar e voou para o lado, escapando por um triz de ser aniquilado. Ele então jogou areia, sumindo por detrás de uma cortina de fumaça.
Quando Aero soprou, no entanto...
Skarmory havia desaparecido.
Fiquei surpreso. Como o pássaro poderia ter evaporado assim, do nada? Será que esse Skarmory era especial e sabia Cavar? Mas aí a resposta veio detrás.
Skarmory estava escondido atrás de uma estalactite, de um ângulo que não dava para ver.
Bastou um golpe.
Mandei Pika de novo.
Ele se apressou com a Agilidade uma vez mais.
Apesar de Pika sequer chegar perto de Skarmory, a ave começa a sentir os efeitos de sua presença e se fere.
— O quê?! — Steven fica abismado. Mas o que era aquilo, afinal de contas?!
Então decidi entregar o jogo:
— Está quente, sabe. O Pikachu está soltando pelos. Bastantes pelos...
— Aaaah! Entendi! Então foi isso o que levou Magneton! Pelos eletrizados!
— Precisamente!
— Então nesse caso, vamos varrer todos esses pelos pra longe! Skarmory, use--
— Nananinão! — disse eu, interrompendo. Meio segundo depois, o pássaro bicudo se estatelou no chão. Agora Pikachu estava mais rápido. Beeeem mais rápido.
Mas como alegria de pobre dura pouco...
Pika começou a correr de novo, mas isso abriu margem para Mawile atacar com Soco Concentrado.
Mandei Sandslash. Era um dos Pokémon outrora pertencente a Giovanni e que agora faziam parte do time do Blue. Eu não me sentia muito bem em usá-lo, mas quando eu parava pra pensar que o Giovanni em si talvez JAMAIS tivesse chegado perto desses Pokémon e, ao invés dele mesmo treinar, deve ter mandado seus lacaios (os treinadores do Ginásio Viridian) fazerem todo o trabalho, sempre concluía que talvez Sandslash e os outros Tipo Terrestre talvez não tivessem criado vínculo algum com ele.
As garras de Sandslash miraram no ponto fraco de Mawile: seu corpo.
Mas ela tinha um bom método defensivo...
— Defesa de Ferro. — Riu-se todo, Steven quando as garras de Sandslash se partiram na colisão com a boca gigante. Estava tudo bem, elas cresceriam de novo em um dia, de acordo com a pokédex, mas nós não tínhamos esse luxo de esperar todo esse tempo.
Então Sandslash desapareceu no solo duro, que cavou com dificuldade agora que suas garras estavam encurtadas (e doloridas).
Mawile apenas aguardou.
Quando o pangolim emergiu do solo, VRAU!
Raio Solar na cara dele.
Mandei outro Pokémon na mesma situação que Sandslash.
Steven ordenou o ataque e a dama de kimono até que tentou abocanhar ele, mas sua pele era grossa.
Primeiro, Rhydon golpeou Mawile com a cauda, jogando-a contra as paredes de pedra.
Depois, aproveitou o momento de desorientação causado pelo impacto e a soterrou.
— Volte, Mawile... Você lutou muito bem, agora descanse, garota.
Agora o barraco estava armado.
Dois paquidermes se enfrentavam, a caverna de magnetitas se tornando um verdadeiro ringue.
Aggron atacava com a Faca de Dois Gumes sem se preocupar com danos colaterais. Rhydon segurou. Mas por quanto tempo ele conseguiria continuar segurando?
Enviamos um golpe atrás do outro, para compensar.
Mas em seguida, veio Esmagamento de Rocha.
Aggron não destruiu todas as pedras. Não. A última, ele enviou de volta!
Rhydon caiu e Aggron veio torando com a Cabeça de Ferro.
Meu parceiro se levantou no último minuto e contra golpeou com Mega Chifre.
A colisão de cabeça com cabeça anulou os dois ataques, mas não sem antes deixar os dois bastante feridos.
Então, Steven gritou:
— Vamos acabar com isso de uma vez para eu poder continuar explorando! Aggron, Pulso d'Água!

A caverna se inundou, do chão ao teto. Uma onda de água avassaladora veio na nossa direção. Rhydon cerrou o punho e partiu a onda no meio, evitando o pior.
Mas a água ricocheteou e atingiu Aggron, levando-o à derrota.
Não muito tempo depois, Rhydon também caiu, por ter encostado na água.
A luta estava ficando tensa. Steven ainda tinha mais dois Pokémon, mas decidiu já enviar o seu ás.
Quando eu vi o rosto do Metagross, eu soube na hora que a coisa era séria! Tratei de chamar o meu próximo Pokémon. E, ok, eu admito... Não era minha melhor escolha, mas era quem estava comigo, naquele momento.
Prevendo algum ataque por baixo, Metagross pôs-se a flutuar.
Mas Chansey não abriu fogo, ela começou reduzindo seu tamanho. De um Pokémon ovo gigante, ela ficou do tamanho de um ovo de codorna. Talvez até menor.

Metagross não parecia conseguir enxergá-la. Nem eu.
Isso me deixou preocupado. Mas segui com a tática de Green.
Metagross veio com seu movimento-assinatura, mas nada de encontrar Chansey.
Ele tentou acertá-la diversas vezes com o Esmaga Meteoro, mas esmagou foi nada! Não havia quem a encontrasse. Steven já estava de quatro no chão, procurando pela Chansey. (E eu também!)
Tanto foi que ela apareceu, regressando ao tamanho normal para atacar.
O Soco Dinâmico deixou a casca de metal de Metagross levemente amassada. E ele, confuso. Mas agora que já sabia sua localização...
Chansey voou contra a rocha, mas sua energia ainda estava ok.
Decidi curá-la mesmo assim.
100% outra vez.
E Chansey voltou a ficar pequena.
Mas desta vez, os dois foram mais espertos.
Steven pediu que Metagross utilizasse seu cérebro de computador, que era como um superpoder de superinteligência. No mesmo instante, ele anulou a confusão, a razão vencendo o estado alterado de consciência.
No instante seguinte, ele começou a demolir todas as rochas ao seu redor, soterrando Chansey, onde quer que ela estivesse!
— Para que procurar a agulha no palheiro se podemos pôr fogo e queimar toda a palha?!
Chansey emergiu, zangada. Ela até tentou atacar lançando um de seus ovos da cura, mas...
O ovo atingiu a lata do Metagross sem causar mais do que um leve afundamento. O Pokémon mais inteligente de todos então acendeu seus quatro Beldum's que lhe serviam de patas e desferiu um golpe fatal de múltiplos hits.

Chansey não teve uma chance! (Desculpem a piada!)
— Como? Como esse golpe foi tão poderoso contra um Pokémon de HP quase infinito?! — Perguntei.
— Foi o Esmaga-Meteoro.
— Hã?
— Não foi um ataque em vão quando esmagamos o chão procurando a Chansey, estávamos também ampliando o ataque físico!
— Uau.
— É. E agora você só tem mais um Pokémon, menino. Já que ousa me desafiar, porque não tenta lutar pra valer dessa vez? Sem esses joguinhos...
— Ai, ai...
— O que é isso?! Um Eevee???? É SÉRIO???
— Não diga mais nada.
No instante em que Veevee começou a evoluir automaticamente para Flareon, o queixo de Steven se foi ao chão. Nem mesmo o supercérebro de Metagross conseguiu compreender como ela fez isso — e foi essa jogada que realmente o deixou "confuso".
Aproveitamos o momento de indignação para atacar.
Ponto para nós.
Restava um Pokémon para Steven. Eu não estava preparado para aquilo.
— A maioria dos treinadores que chegam até mim, não conseguem sobreviver até o meu último Pokémon. Você se provou ser uma exceção. Mas não se alegre demais.
— UM LENDÁRIO!
— Que foi? Ficou com medinho, é?!
— Jamais. Flareon? Vá!
— Canhão de Flash para defesa!
Mas o fogo acabou vencendo.
— Essa explosão de fogo foi suficientemente quente para derreter o ferro do corpo dele!
— Ah, é? — Steven sorriu.
Então, eu ouvi aquele barulho esquisito que Registeel emitia. Uma espécie de "bip" eletrônico, de algum robô retrofuturista, e lá veio ele: o gigante com rosto de braile, intacto, de dentro das chamas.
— O QUÊ?!
— Ele é mais duro do que você pensa! — disse-me Steven. Maliciei na hora. Foi com essa distração, no entanto, que tomamos no cool, quando Registeel avançou com mais um ataque. Mas não atacou de forma direta. Ele usou o Canhão de Flash para arremessar rochas em Flareon, rochas essas que causariam muito mais dano do que o ataque original diretamente.
Mas Veevee ergueu a cabeça e começou a correr com a boca cheia de labaredas em sua direção.
NHAC!
Ela o mordeu.
Mas Registeel usou a estratégia do Pika para danificar e paralisar a pobre Flareon.
— É melhor desistir. — Disse-me Steven. — Eu não costumo ser bonzinho com aqueles que me interrompem quando estou hiperfocado em minério.
— Doido de pedra!
— O que disse?!
— Eu disse que você é doido... Por achar que eu vim até aqui atrás de você e simplesmente vou desistir!
— Ah, então se você quer as coisas do jeito mais difícil... Registeel, Mirar!
— Veevee, vai!
Mesmo paralisada, Veevee conseguiu atingir Registeel e causar uma explosão que encobriu todo o seu corpo. Mas tão logo a explosão se formou, ela se foi. Registeel emergiu dela envolto em um brilho prateado absurdamente lindo, em uma velocidade que eu jamais imaginei que um Pokémon tão pesado poderia alcançar.
— Veevee, corra!
Mas a paralisia agiu no momento errado e congelou as pernas traseiras de Veevee, que caiu no meio da evasiva.
Perdi.
Foi naquele momento que a dura verdade bateu na minha porta e junto com ela, o arrependimento. Era o terceiro Campeão seguido a me derrotar... Talvez eu não fosse feito para aquilo mesmo. Eu me senti um lixo. Mais do que isso. Talvez o aterro sanitário inteiro. Inútil. Incapaz. Impotente.
Talvez eu devesse voltar para casa e tentar ser um bom pai. É... A Daisy precisava de mim e eu precisava acertar as coisas com ela. Ela não merecia o que eu fiz com ela. E agora, com a cabeça menos quente, eu sabia disso.
Levou cerca de uma semana para chegarmos a Kanto novamente. No meio do caminho, pegamos uma tempestade, o barco estragou e enfrentamos uma série de outros perrengues, como escassez de suprimentos e, claro, o meu mau humor.
Mas quando eu finalmente cheguei a Pallet novamente...
Fui direto à casa do Blue.
Ou melhor... Até a casa onde também residia sua irmã, Daisy.
Toquei a campainha. Ninguém atendeu. Então resolvi espiar pela janela. Ela estava lá dentro. Vinha vindo.
— Red? — Perguntou ela, surpresa. — O que faz aqui?!
— Eu vim para ficar, Daisy. Vamos criar esse filho juntos.
— Filho? — Ela me olhou de cima abaixo.
— Ou filha, tanto faz. Mas eu preferiria que fosse menino.
Então, a expressão de Daisy mudou de surpresa para ódio. Extremo. Tipo... Muito, muito mesmo. Ela olhou no fundo dos meus olhos e disse, se segurando para não me encher de porrada na cara:
— Não tem filho nenhum, Red! Você não me disse para tomar "um chá"? Pois é... Eu tomei! No fim das contas, eu jamais traria uma criança para esse mundo para crescer sem um pai. Você se provou péssimo nesse papel.
E fechou a cara na minha porta.
Eu senti como se eu fosse desmaiar. Meu coração acelerou, eu não conseguia respirar. Achei que eu estava tendo um infarto.
— Ah, não! O que foi que eu fiz?!
Caí de bunda na calçada, respirando ofegantemente, até que senti a mão do velho Fuji sobre minhas costas.
— Está tudo bem, jovem?
— Não. Não está NADA bem...





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