2005
Dizem que o luto tem 5 fases.
Eu nunca saí da primeira: a Negação.
Meu mundo caiu.
EU caí.
Toda vez que eu dava um passo, parecia que a qualquer momento, o chão iria desmoronar. E eu queria ir junto. Ser soterrado até eu me esquecer de todas as coisas que formavam uma tempestade imparável de pensamentos sombrios em minha cabeça.
Blue e Green estavam mortos... Depois de eu ter passado a minha adolescência inteira lutando para salvá-los das garras da Equipe Rocket! Yellow, meu primeiro amor, também. A dor de um término não chega a 1% da dor de ver a pessoa que você ama desaparecer para sempre da face da Terra. Meu coração não foi partido. Foi pulverizado, aniquilado, arrebatado, obliterado. Até deixar de existir.
Ou talvez fosse justamente o contrário. Talvez ele estivesse mais persistentemente presente agora do que nunca. Caso contrário, eu não estaria sofrendo TANTO.
Eu já não dormia mais. As noites passadas em claro, os dias enfiado num quarto escuro e silencioso, atormentado pela lástima e tentado pelos meus próprios demônios. Sem fome. Sem ânimo para nada. Apenas um buraco negro em meu estômago sugando lenta e dolorosamente todo vestígio do que um dia fui.
Minha equipe Pokémon cresceu (e muito!) depois disso. Eu fiquei responsável por cuidar de todos os monstrinhos que eram deles. Eu gostava da ideia, mas não queria que fosse dessa maneira. Não era justo! Nem comigo e nem com os Pokémon... Agora, eu não sabia se mantinha Blastoise, Charizard, Chuchu e os outros comigo, vivendo e revivendo o luto todo santo dia, ou se os soltava de volta na natureza, para que pudessem CONTINUAR suas vidas, mas privando-os de estarem próximos uns dos outros, afinal, durante todos esses anos em que estiveram juntos, eles se tornaram Família...
Nem uma coisa nem outra parecia certa. Eu estava desenganado. Nada parecia fazer sentido. Eu só queria dormir, apagar-me por um tempo e esquecer de todos esses problemas que estavam me afundando dia após dia. Mas mesmo quando eu conseguia fechar o olho, os pesadelos estavam lá para me atormentar.
Eu experimentei todo o tipo de medicação e te garanto que não há diferença alguma entre remédios e drogas. Eles até podiam me dar um alívio imediato, momentâneo (e muitas vezes necessário!), mas não podiam me privar de sentir... Não podiam apagar o vermelho sangue transbordando de dentro do Red. Eles chegavam na superfície do corpo, mas não conseguiam penetrar na profundidade da alma.
Como Arceus poderia ser tão CRUEL em permitir que a Equipe Rocket os tirasse (para sempre) de mim?! Mas pior do que isso... Como Arceus poderia ser tão nefasto e permitir que eu continuasse vivendo para sofrer sua perda, ao invés de me levar junto com eles?
Quase um ano se passou desde que meus amigos se foram, e eu ainda não podia aceitar o que aconteceu. Bill me ajudou a construir um túmulo simbólico nas profundezas da Floresta Viridian, em uma parte de mata extremamente densa que só eu e as pessoas mais próximas a mim sabíamos encontrar.
No começo, eles vinham frequentemente para cá... Snap, Gold, Crystal, Silver... Depois de um tempo, no entanto, todos eles começaram a seguir com suas vidas...
Dizem que cada um lida de uma forma diferente com a perda. E eu concordo. Emerald me disse que não lhe fazia bem ficar rememorando diariamente a morte da irmã, então ele também se retirou. E eu não o culpava... Essa era uma forma que ele encontrou para seguir em frente: deixar o passado no passado.
Mas diferentemente de todos, eu não estava sabendo como fazer isso. Eu não estava progredindo. Eu fiquei para trás, velando um jazigo que não possuía corpo algum dentro, inconformado com a dor de sua ausência, que nunca parecia melhorar... Uma ferida em aberto que nunca parecia sarar...
Nunca.
A vida já não fazia mais sentido diante de meus olhos. A única coisa que me mantinha acordado, respirando, era a vontade de vingança. E nesse momento, eu estava mais sedento que nunca.
E foi num dia desses em que eu estava choroso, espumando de raiva, planejando as piores maneiras de cometer 4ss4s1n4t0, que eu fui interceptado...
A grama farfalhou, galhos se quebraram. Eu estava limpando a lápide com o nome do Blue quando de repente, eu senti uma presença humana se aproximando vagarosamente por trás, destruindo o rigor silencioso da Floresta Viridian, como nenhum caçador jamais deve fazer ao avistar a presa.
Virei-me rapidamente, quando dei de cara com ele...
— O que está fazendo aqui?
— Eu vim prestar minhas condolências... Red.
— Eu não quero sua pena! O SEU nome deveria estar aqui, e não o deles, "Rocket"!
Lance baixou a cabeça e por um breve momento, eu pensei ter visto um pingo de compaixão em sua face. Mas eu não queria acreditar naquilo. Não vindo de alguém que fazia parte de uma organização que arruinou tantas vidas... Vidas inocentes...
Aquilo eu jamais... Jamais poderia perdoar!
— É hoje que você
Em meu coração, não havia espaço para misericórdia. Não havia espaço, na verdade, para coisa alguma além de ódio. Aquela podridão me consumia de dentro para fora como chamas que torram a madeira até virar carvão. Meu coração parecia estar sendo esmagado por um mão invisível que o arrancara do peito e o pressionava com força. A respiração estava difícil... Era quase como se a presença do próprio Lance roubasse-me o ar. Eu espumava mais do que um Krabby. E apertava meus punhos mais do que um Kingler ao fechar sua pinça em torno da carapaça de um Shellder. Minhas mãos suavam feito o muco do corpo de um Ditto. Eu tremia feito as chamas das crinas de Rapidash durante o galope. Mas não era uma tremedeira comum. Era da cabeça aos pés. Desde a ponta de um único fio de cabelo até a última de minha células. E eu tremia porque eu sabia... Sabia o que tinha que fazer...
Eu tinha de apagar uma pessoa. Pela primeira vez na vida.
E embora eu estivesse com medo. Também havia outra sensação que me acompanhava: vontade.
Dizem que os Pokémon começam a se parecer com os seus treinadores depois de um tempo. Então minha escolha não poderia ser outra... Blastoise irrompeu da Pokébola bradando, soltando poeira ao aterrissar no chão.
A Green era valente. Mais do que isso...
Ela...
Era mesquinha. Jamais deixaria alguém passá-la para trás. Era ela quem passava a perna! A gente nunca conseguia desvendar o que tinha por trás daqueles olhos castanhos... Ora era ironia, ora era desprezo. E aquele sorrisinho franzino, meio de lado... Era só uma forma de você se dar conta de que era tarde demais... Você já tinha levado um golpe. Sabe, ela tinha um jeito... "Único" de resolver as coisas. E se havia alguém neste mundo que estava preparado para t1r@r 4 v1d@ de alguém e depois 0cult4r o cadáver, esse alguém era ela. Não que ela fosse 4ss@ss1n4, mas... Na hora, me pareceu uma boa solução evocar o espírito dela através das duchas de Blastoise.
Ele atirou sem pestanejar contra o Lance. Um jato de água pressurizada tão forte que era capaz de separar a pele dos músculos.
Mas Lance não titubeou. Ele deu um giro de 360º com a sua capa esvoaçante e saltou para longe, com uma força nas pernas que eu jamais vi alguém possuir. Eu havia ouvido falar que o treinamento no QG da Equipe Rocket era intenso, mas aquilo... Aquilo era de outro mundo! Aquilo era coisa de NINJA. E então eu saquei...
— Koga...
A proximidade entre os dois certamente resultou em troca de conhecimentos...
Lance alteou a voz, enquanto subia no galho mais baixo de uma árvore:
— Eu não vim aqui para brigar, Red!
— Então pra quê você veio?!
Ele saltou da árvore novamente no momento em que a Hidro Bomba do Blasty fez do galho em que ele se apoiava em mil pedacinhos. Era um pedaço de madeira para cada lado...
— Por favor. Pare! Vamos conversar...
— Eu não quero conversar. Não há conversa com o inimigo.
— Mas eu não... — Nisso, a bomba d'água pegou no seu precioso manto de Campeão e o rasgou. O olhar do Lance mudou na hora! Não dava para acreditar que ele levou tanto tempo para perceber que eu tava falando sério. — Que fique registrado: Eu não queria isso... Mas você me forçou!
Eu também não queria isso, Lance. Também não queria.
Não queria que a minha amiga Green tivesse sido raptada dos pais e criada no covil da Equipe Rocket para se tornar uma soldada sem rosto, uma simples engrenagem facilmente substituível na roda do crime. Quando eles não a quisessem mais... Boom!
Mas eles a quiseram, não quiseram? Após nossa visita no Ginásio Viridian, a Equipe Rocket fez questão de voltar a aliciá-la. E o que mais me incomoda, não é nem isso... Mas o fato de que, mesmo depois de tudo o que ela viveu na infância, ela não percebeu que era cilada. E não nos alertou. E o que o crime te dá, ele cobra de volta...
Às vezes eu paro e penso que talvez ela até estivesse curtindo a vibe de trapaceiro que aqueles malditos cristais estava nos dando... Mas eu não podia julgar o jeitinho dela de ser... Depois de todos os traumas que ela viveu, não havia como cobrar ela de ser uma pessoa mentalmente estruturada e saudável. Olhe só para mim! Depois que a Equipe Rocket veio... Essa minha cachola nunca mais viu uma faxina e eu tenho tentado reencontrar os fragmentos do que um dia fora minha inocência em meio à bagunça.
Lance soltou Dragonite. Claro.
Depois disso, ele tornou a insistir:
— Vamos conversar, Red! Eu não quero fazer isso!
— A sua presença... É um desrespeito ao meu luto. O seu coração batendo é um desrespeito à minha dor. Você veio até mim... E agora sofrerá as consequências! Certo, Blasty?!
— Grrrrr! — Ele mostrou os dentes. Finalmente, aí estava o lacaio do Giovanni que eu conheci no ano passado. Então... Ele retornou Dragonite à pokébola. Eu estranhei...
...Mas não mais do que o que veio a seguir!
— DINAMAX! — Gritei, boquiaberto. Eu já havia ouvido falar sobre aquilo. O Professor Carvalho até me recomendou um artigo que morreu de velho na caixa de entrada do meu e-mail (assim como todos os outros). Mas eu nunca havia visto a transformação pessoalmente. Era... Fenomenal. A altura das árvores não era nada perante a imensidão que aquele dragão balofo havia tomado. Era... Gigantesco. Fora de proporção! BIZARRO!
Observei à distância o item preso ao punho de Lance. Na hora, ele percebeu e pôs-se a massageá-lo.
— Apesar dos pesares... Estar Equipe Rocket tem os seus benefícios. Afinal, não foi um mero acaso que o seu colega Blue tenha r4pt@d0 o Presidente da Silph Co. ... A Dynamax Band... Uma réplica perfeita do produto que está sendo desenvolvido no exterior e que ainda nem chegou às lojas!
— Tsc! Com a máfia é assim mesmo, não é? Crime e ostentação andam de mãos dadas! Como se fosse daora... Isso me enoja mais do que tudo! Blastoise?!
Blasty ataca, mas aquilo não faz nem cócegas na pança do gigante. Dragonite revida com blocos de gelo igualmente colossais, soterrando-o...
— BLASTY!!! — Gritei.
E o Pokémon saiu de dentro das rochas enormes todo ferido.
Imediatamente, ele tacou um Raio Congelante que pegou Dragonite de surpresa, mas não o impossibilitou de continuar atacando.
— É lindo, não é?! — Diz Lance capturando com a palma da mão um floquinho de neve resultante.
Floco esse que eliminou qualquer possibilidade de Blastoise se vingar, pois aquele granizo intenso aniquilou o restante da sua energia.
Rangi os dentes. Pisei firme no chão, arrancando a grama conforme meu pé se apoiou para trás, e arremessei a próxima...
— O Charizard do Blue... — Reconheceu o trombadinha. Mas eu não dei bola, só queria acabar com aquilo logo.
Charizard voou contra sua versão gorda e meteu as asas contra a barriga do Dragonite, mas o adversário descomunal nem parece ter sentido. Então, com uma pisada forte no chão...

...o desgraçado convocou um gêiser de energia que pegou Charizard de surpresa, derrubando-o dos céus!
Pobre menino.
E para ajudar, o granizo continuava caindo, maltratando-o ainda mais. Mas nós não desistimos. Garras à mostra e Charizard foi para cima com mais um ataque.
Dragonite rugiu e soltou um turbilhão de vento, em resposta.
Isso fez com que Charizard não tivesse força suficiente para avançar...
Mas ele tinha fogo para atacar à distância... (literalmente!) Então soprou seu Lança-Chamas contra o Pokémon ciclópico, atingindo-o ao mesmo tempo em que Dragonite reduzia de tamanho e voltava ao normal. Queimaduras. Ponto para nós! E como o granizo também fustigava o próprio Dragonite (de uma forma ainda pior do que a Charizard), nós estávamos finalmente encontrando vantagem.
Dragonite, porém, mesmo ferido seguiu avançando.
Nós tentamos de tudo, mas não foi possível vencer aquela vibração...
— Você não vê? É inútil tentar lutar contra mim... Vamos conversar! — disse-me Lance. Mas nessas alturas, vencê-lo tornou-se uma questão de orgulho para mim.
Chamei a Altaria da Yellow, o Pokémon mais doce e puro que você verá hoje. Ele não era do tipo que m@t4v4 gente, mas era do tipo que m4t@v@ Pokémon.


— Muito bom!
Lance bateu palmas, como que debochando da minha demora para conseguir abatê-lo. Fiquei com mais raiva ainda. Eu não conseguia enxergar nada a minha frente a não ser sede de vingança. E vê-lo fazendo palhaçada... Isso só me deixava mais irado!
O próximo Pokémon do filho de um pai mau caráter foi a própria definição de "eu estou tirando com a sua cara". Um coqueiro com três caras, e todas as três pareciam l3s@d4s.
Altaria não deixou barato, mas Exeggutor parecia confortável com o calor escaldante. Parecia até que se sentia EM CASA!
Em seguida, ele bem que tentou martelar Altaria, mas amassar um pássaro contra o chão é uma tarefa difícil. Ela voou para o alto e começou a carregar.
Nisso, Lance puxou outro de seus apetrechos clonados. Na hora que meu olho bateu, eu achei que fosse um daqueles cristais de trapaça. Chegou a me embrulhar o estômago. Quase que eu vomitei toda a minha bile. Quase.
Então eu notei que dentro da boca da cabeça central de Exeggutor havia outro desses, igualzinho, no lugar de um de seus dentes, provavelmente perdido em combate. E foi aí que eu saquei que não podia ser a mesma coisa. Não. Aquela era uma arma diferente.
Altaria aguentou de frente. E mesmo com um fio de vida, ela conseguiu!
Lance sorriu, meio de lado, e colocou o seu próprio Charizard pra jogo.
Coloquei a pobrezinha da Altaria de volta na pokébola e chamei o seu coleguinha rochoso para ocupar seu lugar.
Lance, para não ficar para trás, pegou outro item estranho. Uma pedra, dessa vez...

— Reza a lenda que se você tiver Articuno, Zapdos, Moltres e 3 Geodude's na sua equipe e então ir até Saffron falar com o já falecido Mr. Psychic, ele te contaria sobre um truque de acesso que deveria ser realizado antes que qualquer outro truque fosse feito. Depois, você partiria em busca da Pedra da Névoa, uma suposta pedra evolutiva dita ser capaz de evoluir qualquer Pokémon existente, mesmo aqueles que já atingiram seu estágio final de evolução, encontrada apenas nas Seafoam Islands depois de ter recolhido todos os itens da área e então usar o ItemFinder em cada pedacinho de chão do lugar... E aí... Aí você poderia ter um PokéGod!
Ele sorriu em escárnio.
— Mas eu não precisei fazer tudo isso. Eu só precisei estar na Equipe Rocket!
A luz que se seguiu foi absurda. A pedra emitiu uma espécie de radiação que se ligou ao Charizard do Lance e num momento... BOOM! Ele explodiu em cores...
...emergindo todo preto e azul de dentro do brilho.
— Aí está um dragão verdadeiro! — disse-me Lance. — Chega de ser especialista em Pokémon Voadores!
Bom, aquilo me deu uma dica do que viria a seguir. Então tratei de paralisá-lo com Canhão de Zap...
Charizard resistiu.
Troquei Nosepass de volta pela Altaria e ordenei que atacasse.
Altaria soprou, mas Charizard não se importou, ficou dançando enquanto tomava todo o dano.
Então, tomado por uma velocidade surpreendente...
— Droga!
Enviei Nosepass novamente, mas Charizard conseguiu finalizá-lo mesmo com um golpe de Tipo Fogo, provando que estava mais forte depois da transformação.
Bem feito.

— A Criatura...!!
Os olhos de Lance se arregalaram. Ele ficou com medo, tenho certeza.
— A "criatura" tem nome! — Lembrei-o de respeitar meu parceiro Pokémon. — Experimente desacatá-lo para ver o que te acontece...
Lance sorriu novamente. Aquele sorrisinho amarelo que me dava vontade de enfiar a mão na cara daquele @rr0mb4d0... E então, de sua próxima pokébola, fez brotar uma víbora com escamas raras, do tipo que você só encontra nas Américas, em uma região muito específica...
A serpente soltou gosmas de veneno que atingiram Mewtwo. Mas os blobs não se limitaram a atingir o meu Pokémon, eles também foram espalhados pelo chão, de modo que um passo em falso e eu próprio estaria enrascado.
Eu abri a boca para dar o próximo comando para Mewtwo e nisso...
Seviper já vinha atacando novamente, com suas presas afiadas que se fecharam em torno do braço esquerdo de Mewtwo num inesperado superefetivo, seguido por um terceiro golpe, dessa vez com a cauda na boca do estômago do Lendário, enquanto a serpente se mantinha afixada, mordendo o braço dele!!!
— C-c-como?!
— Estilo Ágil... Isso nos permite uma movimentação sem igual em batalha.
— Algo de errado não está certo... MEWTWO!!

A Confusão jogou Seviper para longe, mas isso não a impediu de rastejar na velocidade da luz para mais um ataque.
E quando eu penso que Mewtwo foi passado para trás por uma cobra estranhamente marrom...
O golpe final, sem um pingo de misericórdia.
Lance reconheceu minha força. Ele continuava sorrindo, como que tirando onda da minha cara. Então mandou o Pokémon daquela prima dele. Kingdra.
Mewtwo avançou.
Kingdra ficou parado.
Nós atacamos de novo.
Kingdra continuou como se nada! Nessas alturas, eu deveria ter suspeitado de que algo estava errado! E estava! Definitivamente estava.
Eu nunca havia experimentado um Sopro do Dragão daquela potência! Mewtwo caiu, paralisado. Kingdra seguiu atacando com mais um golpe direto.
— Eu entendi... Kingdra está fazendo o contrário de Seviper!
— Estilo Forte. Prioriza a força em detrimento da velocidade. Mas a speed não é um problema mais, já que Mewtwo está paralisado. Kingdra? Atacar!!!
Mas Mewtwo ergueu a cabeça. Com mais uma tentativa, ele atacou à distância e...
Retornei Mewtwo, que certamente estava fragilizado demais para continuar e em seu lugar, mandei o Scyther de Blue.
— Aí está! Cinco de meus Pokémon foram nocauteados. Você evoluiu muito garoto, mas está na hora de resolvermos nossos assuntos de uma vez por todas!
— Mais um Dragonite?
— Mais um, não. Mais UMA.
Sim, aquela era uma Dragonaita fêmula. E diferentemente do primeiro, ela tinha grandes músculos mesmo sem precisar de Dynamax. Ela iniciou enlongando as próprias unhas e voando na nossa direção...
Mas eu deixei que ela girasse o corpo do Scyther à vontade. Dança de Espadas, o nome. Aquilo nos era benéfico!
A Dragonite não pestanejou, no entanto. Desceu em um rasante com o punho pegando fogo. Aquele seria o nosso fim, mas...
O Golpe Aéreo veio no momento certo e com o seu efeito secundário ativado, não havia Dragonite que ficasse entre mim e o meu objetivo. Ela hesitou. Scyther sorriu.
Esse era o momento. Sorri.
Com o Ataque Rápido, Scyther apareceu atrás de Lance, suas lâminas afiadas, uma beirando o pescoço e a outra, a genitália do desgraçado, cujos olhos se esbugalharam, apavorado.
Puxei uma navalha do bolso.
Aproximei-me devagar. Scyther o mantinha imóvel. Ele não era bobo nem nada de tentar se mover. Aquelas foices não eram de plástico. E ele sabia bem disso.
Apontei a lâmina da minha navalha para o peito de Lance. Eu estava me sentindo a pessoa mais poderosa do mundo nesse momento. A vida dele estava em minhas mãos. Desgraçado. Eu estava prestes a me vingar... Me vingar por todos esses anos de sofrimento que a Equipe Rocket causou na minha vida... E na vida dos meus amigos... Me vingar por terem machucado nossos Pokémon, me vingar por terem arrancado à força nossos corações esperançosos de crianças de dez anos que saem em uma jornada Pokémon em busca de um sonho... Sonho esse que foi completamente reduzido a cinzas. Aniquilado. Obliterado.
A Equipe Rocket me devia toda a minha sanidade que havia se esvaído por conta deles. Minha cabeça estava tão bagunçada que eu já não podia mais dizer se os vilões eram eles ou eu. Mas de uma coisa eu tinha certeza: ninguém mais me passaria a perna. Ninguém mais me tiraria o sono à noite. Ninguém mais apareceria nos meus sonhos para me atormentar. Ninguém mais tiraria a minha PAZ!!!!
Sorri, empunhando o cabo da navalha e, no momento que eu ia perfurá-lo...
Eu parei.
— Vamos. Me mate! Me mate se você tem coragem! — disse Lance, visivelmente irritado. Na verdade, seus tristes olhos revelavam uma mistura de medo com uma valentia reativa. Ele era do tipo de pessoa que reagia, não deixava as coisas acontecerem sem tentar se defender. E para um domador de dragões, a melhor defesa era um ótimo ataque...
— QUE FOI?! — Ele bradou. — Você me emboscou aqui para quê? Para tirar a minha vida, não foi? Então vamos. Faça!
Mas...
Eu simplesmente não entendia. Eu QUERIA aquilo! Mais do que tudo! Ele merecia! Mas... Meus músculos simplesmente não me obedeciam. Meu braço ficou trêmulo do nada e minha mão ficou mole, fora do meu controle. Eu abri e deixei a navalha cair.
Olhei para Lance, incrédulo. Agora era eu quem havia hesitado.
— Quê? Não me diga que ficou com medinho... — Ele debochou, afastando as foices de Scyther com as próprias mãos e dando um passo à frente, em minha direção, conforme eu caía de joelhos, sem entender o que havia acontecido.
Scyther não atacaria sem eu mandar. E ele sacou isso.
Lance se abaixou para ficar na mesma altura que eu e fitou-me nos olhos.
— Não se faz justiça cometendo @ss4ss1n@t0!
Então, ele se levantou e rebolou com aquela capa para longe. Nisso, a Dragonite enfurecida pela cilada na qual eu havia posto seu treinador se enverga com o punho eletrizado, mirando em minha direção.
Scyther baixa a cabeça e começa a voar na direção da Dragonite para me defender.
O que aconteceu a seguir foi inacreditável. Em menos de um segundo, Dragonite usou 100% do seu cérebro e mirou o Soco Trovoada em uma rocha adjacente, ao invés de me acertar, fazendo voar pedras para cima do Scyther que se aproximava em alta velocidade.
Aquilo foi extremamente efetivo!
Perdi mais um Pokémon. Não me restava escolha senão regressar o insectóide de volta à pokébola e trazer à tona novamente Mewtwo.
— Agora é tudo ou NADA! — Gritou Lance, furioso. Dava para ver em sua expressão que algo dentro dele havia mudado. Antes ele tava todo sorridente, me tirando para bobo, mas agora... Agora ele estava me tratando como um oponente a sua altura. Mesmo que eu não tivesse conseguido finalizar... A ameaça de morte ainda estava ali, rendendo frutos.
Lance sacou um item que eu não fazia ideia do que era. Achei que fosse uma pokébola, até ele arremessar em cima da Dragonite e fazê-la ficar com uma joia enorme em cima da cabeça!?!?! WTF? Que coisa horrível era aquela?????
— MEWTWO, EVASIVA!!! — Eu gritei, mas não deu tempo de escape. A paralisia atacou o joelho do Pokémon que mesmo flutuando dez centímetros acima do chão, não pôde deixar de tropeçar.
Mewtwo desapareceu dentro do Hiper Raio. Carbonizado.
Era o fim. Eu fui HUMILHADO.
Caído de quatro no chão, minhas mãos trêmulas e cobertas de terra estavam agarrando as folhas de grama como se elas pudessem me defender da tremenda vergonha que eu estava sentindo. Lance estava à minha frente, com a bota fazendo peso no meu ombro. Ele havia me subjugado. E o pior de tudo era que ele, na posição de vilão, havia feito melhor do que eu, como mocinho: ele não tentou me @p4g@r como forma de vingança. Ele apenas... Apenas me julgou como um infeliz perturbado, destinando-me um olhar pesado e profundo de decepção. E, de fato, ele estava certo... Eu não estava batendo bem. E acho que ele sabia muito bem de quem era a culpa...........
Mas a maior surpresa veio agora:
— Eu vim até aqui para te contar que eu sou um agente duplo trabalhando a SEU favor... Mas você não quis me ouvir. — disse-me Lance, enterrando todo o peso do seu corpo em meu ombro. Aquilo me machucou, mas não tanto quanto o fato de eu estar com ele nas minhas mãos e ter falhado.
— Que história é essa de agente duplo?! — Berrei, segurando o ombro enquanto ele se afastava depois de ter fincado o pé em mim.
— Eu pedi ao Gold e à Crys para não contarem isso a ninguém, incluindo você. Eu não sou quem você pensa...
Estamos ouvindo!
Fala aí, Campeão!
Eu soube que vocês estão viajando acompanhados agora.
Caramba! Como as notícias se espalham rápido!
Eu só quero uma coisa de vocês. Preciso ser breve, então vou falar sem rodeios. JAMAIS mencionem sobre mim àqueles garotos.
Por quê?
Red está sendo procurado pela Equipe Rocket e Yellow, que descobriu-se ser namorada dele, logo se tornou um alvo também. Se eles souberem que eu sou um agente duplo, então automaticamente, Blue e Green também saberão e eu serei descoberto!
Como assim?
Blue e Green, os companheiros de viagem e Red, estão na Equipe Rocket agora e eles estão vigiando o garoto, porque ainda sentem que devem protegê-lo, mesmo indo contra os princípios da organização. E eles não gostam de mim, se souberem que eu sou um traíra, eles me denunciarão e serei expulso.
Claro, porque se eles te denunciarem, então eles ganharão credibilidade dentro da equipe e ninguém perceberá que eles também estão fazendo coisas às escondidas, coisas que vão contra os planos de meu pai, que no caso, é proteger o Red e impedi-lo de ser encontrado.
Exato. Nossas ideias irão se desencontrar se aquelas crianças entrarem no meu caminho, então por favor, mantenham-se calados quanto a mim.
Tudo bem, eu acho.
Já vimos que dá pra confiar em você.
Agora eu tenho que ir. Desculpem-me por dar essa mensagem às pressas, mas eu estou correndo perigo. Não posso ser descoberto. Livrem-se dessas Pokégears assim que essa ligação terminar! Ah, e antes de eu ir... Silver, estou contando com você.
Pode deixar!
(Fim do Flashback)
— Mas agora é tarde para esclarecimentos. Nossa relação foi estragada! Você tentou me m4t@r! Na verdade... Eu não quero vê-lo nunca mais!!!
Ele cuspiu no meu rosto, me tratando como o lixo que eu era. Ele virou para ir, mas parou após alguns passos, ainda de costas, sem virar a cabeça para trás, jogando a bomba que me detonou.
— Ah, e antes que eu me vá... — Ele disse, em um tom de desprezo profundo. — Você não está pronto, Red. E desse jeito... Talvez NUNCA esteja. Eles teriam pena de você, sabia? Dos três, Yellow especialmente.
E então ele se foi, deixando-me sozinho com meus Pokémon derrotados e meus fantasmas. Eu caí de joelhos ao lado de Mewtwo, minhas mãos tremendo ao tocar seu corpo ferido.
Ele estava certo. Eu não estava pronto. Talvez nunca estivesse. Mas uma coisa eu sabia... Esse não era o fim. Porque enquanto eu ainda respirasse, enquanto ainda houvesse um sopro de vida em meu corpo, eu encontraria uma maneira de fazer justiça. Não importava o custo.















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Estamos ouvindo!
Fala aí, Campeão!
Eu soube que vocês estão viajando acompanhados agora.
Claro, porque se eles te denunciarem, então eles ganharão credibilidade dentro da equipe e ninguém perceberá que eles também estão fazendo coisas às escondidas, coisas que vão contra os planos de meu pai, que no caso, é proteger o Red e impedi-lo de ser encontrado.


























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